Arquivo de junho de 2009

18 de junho de 2009

Internet vs. Mídia tradicional: mudança sem retorno

Navegando pela web  tive a grande felicidade de encontrar o texto abaixo (santo Google). Trata-se de um artigo sobre o embate das mídias tradicionais com o crescimento das novas mídias.

O artigo foi publicado na coluna do Carta Maior (publicação eletrônica  que nasceu da primeira edição do Fórum Social Mundial). O autor é Venício Lima, pesquisador Sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da Universidade de Brasília – NEMP – UNB. Veja abaixo a reprodução íntegra:

Novas Midias - Montagem do blog Fabio Fiorini

Montagem do blog Fabio Fiorini

Duas pesquisas divulgadas recentemente mostram, de forma inequívoca, a dimensão das mudanças que estão ocorrendo no “consumo” de mídia, tanto no Brasil como no mundo. Elas são tão rápidas e com implicações tão profundas que, às vezes, provocam reações inconformadas de empresários e/ou autoridades que revelam sérias dificuldades para compreender ou aceitar o que de fato está acontecendo no setor de comunicações.

Internet supera TV
A primeira dessas pesquisas é “O Futuro da Mídia” desenvolvida pela Deloitte e pelo Harrison Group. A Deloitte é a marca sob a qual profissionais que atuam em diferentes firmas em todo o mundo colaboram para oferecer serviços de auditoria e consultoria. Essas firmas são membros da Deloitte Touche Tohmatsu, uma verein (associação) estabelecida na Suíça. Já o Harrison Group é uma consultoria independente com sede nos EUA.

A pesquisa, realizada simultaneamente nos EUA, na Alemanha, na Inglaterra, no Japão e no Brasil, identificou como pessoas entre 14 e 75 anos “consomem” mídia hoje e o que esperam da mídia no futuro. A coleta de dados foi feita entre 17 de setembro e 20 de outubro de 2008 e a amostra foi dividida em quatro grupos de faixas etárias: a “Geração Y”, com idade entre 14 e 25 anos; a “Geração X”, que tem entre 26 e 42 anos; a “Geração Baby Boom”, formada por pessoas entre 43 e 61 anos; e a “Geração Madura”, que compreende os consumidores entre 62 e 75 anos. No Brasil, foram ouvidas 1.022 pessoas, classificadas nas quatro faixas etárias.

Vale a pena transcrever o que a própria Deloitte relata sobre alguns dos resultados referentes ao Brasil (cf. Deloitte, Mundo Corporativo n. 24, abril/junho 2009).

O levantamento mostra que o Brasil, com um mercado formado essencialmente por um público jovem é, dos cinco países participantes da pesquisa, aquele em que os consumidores gastam mais tempo por semana consumindo informações ofertadas pelos mais variados meios de comunicação e se mostram especialmente envolvidos com atividades on-line. Os consumidores brasileiros gastam 82 horas por semana interagindo com diversos tipos de mídia, incluindo o celular. Para a grande maioria (81%), o computador superou a televisão como fonte de entretenimento. Os videogames e os jogos de computador constituem importantes formas de diversão para 58% dos entrevistados. (…) (grifo nosso)

Uma das principais informações reveladas é que o usuário quer participar, interferir. De acordo com as entrevistas realizadas com o público nacional, 83% dos consumidores de mídia produzem seu próprio conteúdo de entretenimento usando, por exemplo, programas de edição de fotos, vídeos e músicas. O público de faixa etária entre 26 e 42 anos é o mais envolvido com atividades interativas na rede. Quanto mais jovem, mais propenso a produzir seu próprio conteúdo on-line.

Um dado extremamente revelador é que assistir à televisão é a fonte de entretenimento preferida pelos entrevistados de todos os países participantes da pesquisa, com exceção do Brasil. Entre nós, a TV aparece em terceiro lugar, as revistas em sétimo, o rádio em nono e os jornais em décimo.

O quadro (adaptado) abaixo revela as preferências brasileiras.

Fontes de entretenimento favoritas – Brasil
1º – Assistir a filmes em casa (não inclui filmes na TV) ………55 %
2º – Navegar na internet por interesses pessoais ou sociais..53 %
3º – Assistir à televisão …………………………………………………46 %
4º – Ouvir música (usando qualquer dispositivo ………………..36 %
5º – Ir ao cinema ………………………………………………………..30 %
6º – Ler livros (impressos ou on-line) ……………………………..25 %
7º – Ler revistas (impressas ou on-line) ………………………….16 %
8º – Jogar videogames ou jogos de computador ……………..14 %
9º – Ouvir rádio ……………………………………………………………13 %
10º – Ler jornais (impressos ou on-line) ………………………….12 %

Para um país acostumado – há décadas – à hegemonia não só da televisão, mas de uma única rede de TV, esses dados não deixam de ser surpreendentes.

Participação ativa
Já a vontade majoritária de participar e interferir na construção do conteúdo, revelada pelos entrevistados brasileiros, acaba de vez com a idéia do obtuso “Homer Simpson” (cf. L. Leal Filho, “De Bonner para Homer”, Carta Capital, 7/12/2005) e com o mito da passividade dos nossos leitores, ouvintes e telespectadores.

Mais do que isso, os dados colidem frontalmente com as práticas históricas dos principais grupos de mídia brasileiros que, salvo raras exceções, sequer admitem a existência de ouvidorias ou de ombudsman em suas empresas.

A supremacia das redes sociais
A pesquisa Deloitte/Harrison faz referencia a outra pesquisa divulgada em junho de 2008 pelo Ibope/Net Ratings sobre o surgimento das “redes sociais virtuais”, ou seja, os sites de relacionamento que reúnem internautas com os mesmos interesses. Segundo esta pesquisa, 18,5 milhões de pessoas haviam navegado neste tipo de site em maio de 2008. Se somados os fotologs, videologs e programas de mensagens instantâneas, o número salta para 20,6 milhões.

Pois bem. No painel de abertura do 8º Tela Viva Móvel, dia 20/5, em São Paulo, o gerente de conteúdo e aplicações da Oi, Gustavo Alvim, informa que as redes sociais já desempenham papel mais importante que o acesso a emails no cenário da internet mundial. Em média, enquanto 65,1% dos usuários mundiais de internet acessam emails, 66,8% acessam redes sociais. “E o Brasil é o líder absoluto em redes sociais, com 85% de seus internautas que acessam pelo menos uma rede social”.

Os dados vêm confirmar a aplicabilidade da hipótese do “long tail” (Chris Anderson) à “cultura convergente” – como faz Henry Jenkins – e, particularmente, reafirmar a tendência já prevalente da contextualização, análise e organização capilar de conteúdos, inclusive os jornalísticos, em sites e blogs, deixando para trás os velhos modelos dos jornais impressos diários.

“Pendurados na internet”
Diante desses dados – e das importantes transformações que sinalizam – é que se deve compreender a recente declaração do senhor ministro das Comunicações na abertura do 25º Congresso Brasileiro de Radiodifusão, no dia 19/5, em Brasília.

Segundo relata Mariana Mazza do Televiva News, depois de fazer uma vigorosa defesa da radiodifusão e registrar o abismo entre o faturamento da radiodifusão e das telecomunicações – “o setor de comunicação fatura R$ 110 bilhões por ano. Desse total, somente R$ 1 bilhão é do rádio e R$ 12 bilhões das TVs. O resto vocês sabem muito bem onde está” –, o ministro sugeriu que os jovens devem usar menos a internet e assistir mais programas de TV e de rádio. “Essa juventude tem que parar de só ficar pendurada na internet. Tem que assistir mais rádio e televisão”.

Ao que parece o senhor ministro – e os radiodifusores que ele tão bem representa – estão realmente perdendo o “bonde da história”.

8 de junho de 2009

A montanha russa Social Media Brasil

O Evento

Logo Social Media Brasil

A Webcomtexto, ou parte dela,  esteve presente em mais um evento de nível nacional relacionado a Web. Dessa vez estivemos presentes  no Social Media Brasil (ocorreu esse final de semana (5 e 6 de junho) em São Paulo).

O Social Media Brasil foi dedicado ao marketing em mídias sociais (de como ou não  atuar)  e contou com experiências e trabalhos de alguns dos melhores profissionais da área.

A montanha russa

free-pictures

A expectativa e a certeza de que o SMBR seria um grande evento eram as maiores, afinal o tema principal do evento e os profissionais que ali estavam garantiam isso. Mas não foi bem assim, nem tudo estava as mil maravilhas.

Daí surgiu a analogia desse post. O evento teve, assim como uma montanha russa, seus altos e baixos carregados de muita “emoção”.

INTERNET – Assim como o Intercon 2008, internet foi um grande problema no SMBR. Foi quase impossível utilizar a conexão wifi disponibilizada para as 600 pessoas do evento. Muita gente reclamou, veja aqui. Mais um evento online que aconteceu offline.

PALESTRAS/PALESTRANTES - A escolha dos palestrantes foi ótima. Grandes profissionais de empresas como Pólvora, Riot, Espalhe,  Google, Hello, iThink, Tecnisa, Cubo cc, entre outras. Destaque positivo para os palestrantes:  Gustavo Fortes (Espalhe), Interney (Pólvora), Roberto Loureiro (Tecnisa),  Wagner Fontoura (Riot), Cubo CC e do painel sobre SEO. Destaque negativo para a palestra do Juliano Mota (Uol) que não conseguiu transmitir sua mensagem e os demais painéis que ficaram restritos a palestras curtas.

LOCAL – A escolha do Teatro Gazeta foi muito boa pela localização. A estrutura não tão boa assim, é antiga e faltaram tomadas espalhadas pelo auditório.

APRESENTAÇÃO / ORGANIZAÇÃO / PROGRAMAÇÃO – O Alexandre Formagio parece ser um cara muito bacana, mas faltou alguém para apresentar e encerrar o evento e apresentar as palestras (introdução) assim como foi o Luli Radfahrer para o Intercon. Apesar do feedback do público no twitter sobre a organização no primeiro dia, nem tudo foi solucionado no dia seguinte, como as tomadas, a programação impressa e a internet. A qualidade do Coffee Break foi bem legal, merece destaque.

NETWORKING - O evento foi prestigiado por ótimos profissionais. Fomos muito bem recebidos, foi muito prazeroso conhecer e trocar idéias e experiências no SMBR. Um abraço especial pro pessoal da Gvt, PictureWeb, CineClick, Editora Alto Astral, Lecom e alguns amigos conhecidos da web.

Resumindo, a experiência e a participação foram ótimas. O evento teve seus problemas como qualquer outro, mas  ficaram abaixo das ótimas palestras destacadas acima e do networking.

Voltamos com novas idéias e com a certeza que o investimento em mídias sociais é importante e dá resultado, apesar de todas dificuldades em transformar a cultura do investimento em mídia convencional que foi estabelecida como a que da certo.

Gustavo Fortes no Social Media Brasil

Clique aqui ou na imagem e confira o hotsite com tudo sobre o Social Media Brasil.

1 de junho de 2009

Encontro da RBCE

Estivemos em Curitiba participando de um encontro da Rede Brasileira de Comunicação Empresarial – RBCE, juntamente com mais dez empresas de comunicação de todo o País. Durante o dia rolou um network muito legal, conhecemos realidades bem diferentes, aprendemos, trocamos impressões, cartões e tudo mais.

As malas, cheias de casacos e botas voltaram ainda mais pesada. Dessa vez trazendo novos amigos, boas experiências e melhor, um pouco da cultura e sotaque de cada região brasileira. Da grande Porto Alegre ao Pará, conhecemos pessoas e profissionais incríveis (e suas planilhas fantásticas, rs).

Entre painéis e cases, foram abordados assuntos como:  Avaliação de Desempenho e Mensuração de Custos, Organização de Audiências Públicas e Comunicação em Comunidades em Processo de Licenciamento e por último a apresentação de um belo trabalho editorial para empresa privada. Tivemos ainda a deliberação de vários assuntos importantes para nossa expansão e fortalecimento do setor.

Nosso carinho e admiração às 15 agências que, juntamente conosco, constroem no dia-a-dia parcerias de sucesso em nome da comunicação profissional no País. Abraço especial aos que estiveram conosco durante o encontro, vindos da  Alfapress, Approach, Clara, EDM Logos, Insider2, M&M, Planin, Temple e Literal Link que nos recebeu tão bem para o evento.